Exibição do filme “Acampamento Marcelino Chiarello: A terra que alimenta a resistência”

No dia 12 de dezembro, próxima terça feira, será exibido o documentário “Acampamento Marcelino Chiarello: A terra que alimenta a resistência”.

O filme, retrata a construção do acampamento Marcelino Chiarello, localizado entre os municípios de Xanxerê e Faxinal dos Guedes. O documentário foi produzido na região considerado berço do MST em Santa Catarina, um marco histórico do maior movimento social da América Latina. O objetivo dessa produção é trazer a narrativa na fase embrionária do acampamento, 31 anos depois da primeira ocupação no estado. A partir do processo de construção, o documentário retrata, sem olhares etnocêntricos, as condições de vida, ideais, relação de trabalho e a forma como esses trabalhadores rurais reivindicam as terras para produzir e viver.

Direção: Amanda Ferronato, Angélica Dezem, Darlei Luan Lottermann, Jaqueline Dutra Kornfüehrer, Maria Joana Weber Giareton e Marina Folle Schielke
Orientação: Ilka Margot Goldschmidt Vitorino
Realização: Laboratório de TV e Cinema – Unochapecó

– Após a exibição será aberto espaço para conversa e discussão, abordando o despejo violento vivido pela comunidade no último dia 29.

Segue a matéria
“No dia 29 de novimebro, as 180 famílias que viviam no acampamento há quase dois anos, foram despejadas, com uma ação da Polícia Militar, com tropa de choque e cavalaria, cumprindo a liminar da juíza da 1ª Vara de Chapecó.

Mas, as famílias Sem Terra despejadas do Acampamento Marcelino Chiarello seguem resistindo. Organizadas solidariamente no ginásio de Faxinal dos Guedes/SC, mas também articulados para dialogar desde com prefeitura até com o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) Nacional. O MST organizou neste dia 1 ato em solidariedade as famílias.

A área ocupada pelas famílias é pública, do Incra. Na década de 1980, o Estado Brasileiro expulsou os agricultores que moravam ali e repassou as terras para o fazendeiro, mas para o título da terra ser dele era preciso pagar e ele nunca o fez. Por isso, as terras voltaram a ser propriedade do Incra. “Por este motivo as famílias ocuparam a área. Mesmo assim, a juíza mandou despejar as famílias Sem Terra, sem oficializar a ordem com antecedência e sem dar o direito de defesa judicialmente”, afirma Vilson Santin, da direção do MST.”

Reportagem na íntegra: http://www.mst.org.br/2017/12/03/em-santa-catarina-acampamento-marcelino-chiarello-resiste.html

Link do evento para mais informações: https://www.facebook.com/events/130989997679161/

capa

 

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23/11 | CHICO #NãoVaiTerRedução

É dos morros do Rio de Janeiro e da resistência das favelas cariocas onde brota e floresce arte. A Coletiva Centospé convida todas e todos para a ESTREIA EM FLORIANÓPOLIS de Chico, um filme dos Irmãos Carvalho. Através de uma produção de cinema da periferia, apresentamos um manifesto contra a redução da maioridade penal e o encarceramento em massa do povo negro.

A exibição será feita no Auditório Professor João Ernesto Escosteguy Castro, no prédio de Engenharia de Produção (CTC) da UFSC, dia 23/11 às 18:30h. Após o filme, teremos uma RODA DE CONVERSA sobre a redução da maioridade penal e o racismo do sistema judiciário. Logo mais divulgamos os nomes de quem vai fortalecer nesse espaço!

#NãoVaiTerRedução
#VaiTerCinema



Direção de Irmãos Carvalho (2016) – 23min

2029. Treze anos depois de um golpe de Estado, o cerco se fechou contra as populações periféricas. Dentre os retrocessos levados a cabo pelo novo governo, está a aplicação de tornozeleiras eletrônicas em crianças pobres, negras e faveladas em seu nascimento para rastreá-las. O governo pressupõe que elas irão, cedo ou tarde, entrar para o crime.

Chico é mais uma dessas crianças. No seu aniversário de 10 anos, é aprovada a Lei de Ressocialização Preventiva, que autoriza a prisão desses menores. O clima de festa dará espaço a uma separação dolorosa entre Chico, sua mãe e sua avó.

Você pode assistir o trailer em: https://www.facebook.com/FilmeChico/videos/485434798324787/

Para mais informações sobre a produção, é só curtir a página Chico!

Sobre o CABio, Autogestão e Revolução

A resistência legítima em prol do autogoverno, da autodeterminação e da autodefesa representam a maior luta pela liberdade que se pode exercer.
 
Neste semestre, a legitimidade do funcionamento em autogestão do Centro Acadêmico de Biologia da UFSC (CABio) foi questionada por militantes da Juventude Revolução (JR) e estudantes independentes. Há mais de dez anos o CABio não realiza processos eleitorais, mas continuou realizando reuniões periódicas, cumprindo suas tarefas de organização, mobilização, recepções, ações de extensão, defesa estudantil ou participação nos eventos do Movimento Estudantil de Biologia do Sul do Brasil. O CABio é historicamente construído por dezenas de pessoas, a média de participação nas reuniões semanais, ao longo dos últimos três anos, girou em torno de dez a vinte pessoas, algumas com mais de trinta pessoas, entre uma maioria não vinculada a organizações políticas e também estudantes organizadas. A  União da Juventude Comunista (UJC), o Coletivo Anarquista Bandeira Negra (CABN), a Juventude do PT (JPT) e a Esquerda Marxista (EM) são alguns dos grupos que já participaram da construção do CABio ou estiveram presentes em atividades puxadas por ele. No entanto, graças a estudantes independentes que tiveram participação ativa nos últimos anos, o CABio nunca dependeu de nenhum dos grupos citados acima para funcionar; pelo contrário, em vários momentos continuou cheio e atuante mesmo sem participação de nenhuma organização política. Desta forma, nós, da Coletiva Centospé, que participamos do CABio desde antes de nosso grupo surgir – no final do ano passado, gostaríamos primeiramente de saudar a diversidade de posições que sempre esteve presente dentro do Centro Acadêmico.
 
O modelo de funcionamento autogestionado não havia anteriormente impedido a construção coletiva, mesmo por organizações que – ao contrário de nós – não defendem a autogestão como princípio e horizonte político. Foram mais de cem estudantes que passaram por reuniões do Centro Acadêmico nos últimos três anos, pessoas que construíram a entidade e diversas lutas através da autogestão. Ao contrário de ser o que possibilita a pluralidade nas discussões e nas construções, como se vê pelo histórico do CABio, a autogestão agora é apontada pela JR como uma forma que impossibilita a definição de um programa de lutas ou de um horizonte revolucionário, além de não ser democrática como seria um processo eleitoral. A JR é uma organização de juventude vinculada à corrente trotskista O Trabalho (OT), o qual faz parte do Partido dos Trabalhadores (PT). Vale ressaltar que essa organização tem militado nos últimos meses com centralidade na candidatura de Lula em 2018.
 
Por isso, queremos aproveitar esse momento para aprofundar o que entendemos por autogestão, como meio e horizonte de luta na construção de uma sociedade organizada desde baixo, permeada pela autonomia. Além disso, queremos pontuar por que consideramos o CABio autogestinado um espaço legítimo, em sua organização e ação.
 
O que a Centospé defende quando fala de autogestão?
 
A palavra autogestão é relativamente recente na história das lutas sociais. Seu primeiro uso provável foi nos anos de 1950 na Iugoslávia socialista, como oposição ao modelo de forte centralização, expansão industrial e imperialismo soviéticos. Nasce para língua, portanto, em servo-croata: samoupravlje. Entretanto, antes de ser palavra, já era prática. Herança histórica das lutas dos povos oprimidos, a autogestão esteve presente no funcionamento da Comuna de Paris em 1871, a primeira experiência de autogoverno inspirada no socialismo da história; também entre sovietes livres da Revolução Russa (1917); e na Revolução Espanhola em 1936, quando a cidade e o campo foram organizados de baixo pra cima.
 
Mais do que esses exemplos, vemos a autogestão viva como palavra e prática ainda hoje, desde Chiapas até Rojava. Ela vive com indígenas zapatistas no México, que praticam uma revolução de autonomia e autogoverno desde 1994; também vive na Revolução Curda, que estabeleceu vastas áreas de autogoverno entre a Síria e Turquia, a partir da democracia de base, da participação feminina, do anticapitalismo e da negação do Estado. Além disso, aqui mesmo no Brasil, ocupações de escolas e universidades em 2015 e 2016 foram construídas de forma autogestionada. Na maioria das escolas, as decisões foram tomadas pelas próprias estudantes de base, que pegaram na mão a tarefa da ação política, ao invés de delegar a função para outras representantes. Então, quando se ataca a autogestão em 2017, o que se está atacando também é o legado das maiores lutas estudantis das últimas décadas.
 
Acreditamos, então, que a autogestão não é apenas um método ou formato de organização, mas a negação do princípio político da representatividade burguesa, onde nossa capacidade política é entregue para outra pessoa, como uma alienação da nossa força de pensar e agir politicamente. Trata-se, portanto, de um método fundado na autonomia, o que propicia a atividade criadora individual e coletiva, possibilitando que novas relações sociais sejam tecidas ali e também que novas estratégias de luta surjam. Isso tudo graças a autonomia advinda da não-hierarquização de sujeitos a quem não competem posições fixas de trabalho: na autogestão há a necessidade de superar as dicotomias entre o trabalho manual e o intelectual, entre as pessoas que só pensam e as que só fazem, entre as dirigentes e as executoras. Adotamos, pois, a autogestão como um princípio porque ela é um bom método para as lutas que agora travamos, mas principalmente porque ela é um horizonte revolucionário de sociedade, com o autogoverno das classes oprimidas. Se os fins são esses, não podemos escolher outros meios. E é por isso que negamos as formas organizativas que nos eduquem em sentido oposto ao desejado.
 
CABio e a construção de um horizonte
 
Sem chapas nem campanhas, o CABio alcançou legitimidade e direito para representação estudantil no Conselho do Centro de Ciências Biológicas (CCB) e Colegiado de Curso, onde teve participação ativa e decisiva nos últimos três anos, muitas vezes contra a Direção e setores elitistas, tecnocráticos ou produtivistas de professores. Foi por luta e legitimidade da representação estudantil desse CABio autogestionado que o CCB foi um dos únicos Centros que votou contrário à cessão do HU para a EBSERH, mesmo quando a antiga Diretora era do campo político da antiga Reitora. Foi por campanha dessa mesma representação que o CCB foi favorável à paridade na última eleição de Reitoria, mesmo quando dezenas de professores se organizaram para defender que seu voto valesse 87 vezes mais que o nosso. Foram as cadeiras do CABio, incômodas mas legítimas, que mudaram os rumos do Regimento do CCB nesse ano e que defenderam uma concepção de extensão universitária minimamente popular, contra interesses produtivistas e sem retorno da UFSC para uma comunidade outra que não a científica.
 
Além disso, foi esse CABio autogestionado que puxou uma forte campanha pelo boicote do ENADE em 2014, questionando os critérios meritocráticos da avaliação do MEC. Também teve participação ativa durante a luta em defesa do HU 100% SUS, mandando delegação para o Seminário Nacional Contra a EBSERH e mobilizando no CCB uma das maiores rejeições proporcionais no plebiscito sobre a mesma. Em 2015, puxou uma greve estudantil de uma semana contra os pesados cortes de verba na educação realizados pelo Governo Dilma e nesse mesmo ano, constituiu uma rede de solidariedade no Curso ao Movimento Ponta do Coral, ajudando a conquistar um fundamental apoio institucional da Universidade a essa causa popular.
 
Em 2016, puxou uma nova greve estudantil contra os ataques do Governo Temer. O CABio, único CA do CCB, mobilizou sozinho a ocupação de um dos seus prédios durante a onda do final do ano passado: uma ocupação que teve participação diária de cerca de quarenta estudantes e formou dezenas de militantes. Ano passado, ainda organizou o Encontro Regional Sul de Estudantes de Biologia na comunidade tradicional dos Areais da Ribanceira, em Imbituba, apoiando a luta pela terra na região, atacada por empresas transnacionais e pela Justiça elitista. Em 2017, esteve presente em peso nos atos e ações das duas Greves Gerais; e dentro da universidade colocou-se contra o aumento do passe do RU para as trabalhadoras terceirizadas e no combate às ações higienistas da DESEG contra pessoas que moram no campus. Nesse semestre, o CABio deu apoio para a ocupação do INCRA pelo movimento quilombola e foi fundamental na mobilização contra o Marco Temporal, dando apoio logístico e financeiro para a vinda de companheiras e companheiros indígenas do norte do estado para o trancamento da BR-101 próximo a Aldeia Itaty – Morro dos Cavalos. Durante todos esses anos, o CABio também foi apoiador do Estágio Interdisciplinar de Vivência (EIV-SC), ajudando junto à Via Campesina com finanças, organização de festas e participação em suas atividades.
 
Organizar uma entidade estudantil por autogestão não é a revolução, nem é por si só garantia de grandes vitórias ou avanços na luta. É preciso um processo contínuo de debate, formação e autocrítica, em detrimento a individualismo, passividade, não-participação, ausência de diálogo e disputas motivadas por interesses próprios ou de grupos. A autogestão não funciona se for prática espontaneísta, em que cada pessoa faz o que quiser, assim como não funciona na ausência de acordos comuns ou na falta de responsabilidade com as tarefas necessárias ao coletivo. A autogestão só funciona como esforço de superação dos valores capitalistas e neoliberais.
 
Não se trata apenas de fazer reuniões abertas ou não ter uma presidência formalizada em documento, mesmo que isso represente um avanço frente às formas mais autoritárias de gestão. Trata-se, principalmente, da prática de diálogo e construção coletiva que um espaço não-hierárquico promove, baseado na autonomia de cada pessoa em formular as propostas, colocá-las em debate e implementar as decisões dentro do coletivo. Um processo rico e contínuo de aprendizado e formação política, que se dá no CABio e que possibilita a pluralidade e quantidade de lutas que essa entidade conseguiu travar nos últimos anos. A história do CABio é a sua própria legitimidade, dentro da autogestão e na construção de uma sociedade desde abaixo e à esquerda.
 
Quem quer desmerecer, deslegitimar ou mesmo boicotar o CABio, vai encontrar grandes parceiros na Direção de Centro, na DESEG e seu projeto de limpeza social da UFSC; na Votorantim que devasta os povos e a natureza de Imbituba, nos latifundiários de todo o Estado e na empreiteira Hantei; no vereador Pitanta (DEM) que mobiliza a reação anti-indígena na Palhoça, no Governo Temer e seu projeto de guerra aos pobres. Nós estaremos decididamente do lado oposto, onde sempre estivemos.
 

Por isso, nos colocamos por um CABio cada vez mais forte, cada vez mais próximo das lutas sociais, com cada vez mais diálogo e participação. Defendemos a aprovação de um novo Estatuto, que supere as limitações antigas, reforce a autogestão e que dê mais força e capacidade para voltar a dedicar todos os esforços na luta estudantil e popular.

Longa vida à autogestão do CABio! O tempo urge!

MAIS FORTES SÃO OS PODERES DO POVO!

As lutas da pós-graduação na UFSC e o papel da APG

A Associação de Pós-Graduandos da UFSC é a entidade que representa e mobiliza estudantes de pós em todos os campi da UFSC, nas modalidades residência, especialização, mestrado acadêmico, mestrado profissionalizante e doutorado. Em 2016, éramos mais de 14 mil estudantes, dos quais cerca de 7 mil são de mestrado e doutorado acadêmico. Neste momento, a entidade está em processo eleitoral, em que concorre apenas a chapa “Quem tem coragem!“, que estamos construindo junto a outras estudantes de correntes de esquerda ou independentes.

No dia 16 de outubro, o jornal UFSC à Esquerda publicou um texto discutindo a importância da unidade nas lutas nesse período que vivemos e sugerindo que, por isso, a pós-graduação poderia estar dentro do DCE ao invés de organizada na APG. Nós, da Coletiva Centospé, gostaríamos de discutir essa proposta mais a fundo, apontar motivos para manter a APG enquanto entidade e, mais especificamente, explicar por que decidimos construir a chapa “Quem tem coragem!”.

Unidade sem luta, luta sem unidade

É verdade que a separação das entidades estudantis não é a única forma possível de organização estudantil, nem que será necessariamente a melhor opção em qualquer momento histórico. No aniversário de 100 anos da Greve Geral de 1917, lembramos das propostas do Sindicalismo Revolucionário, que estimulou a fundação de muitos de nossos primeiros sindicatos e foi responsável por muitas das maiores conquistas de nossa classe: antes do atrelamento dos sindicatos ao Estado, muitos deles foram ferramentas de luta que não eram restritas a uma única categoria. Com isso, promoviam a consciência e solidariedade de classe, inclusive realizando greves solidárias às reivindicações de outras categorias. Com isso, o Sindicalismo Revolucionário apontava para um método comum de luta, através da Greve Geral, e um horizonte de conquistas que contemplasse todas e todos os trabalhadores.

Também é verdade que estudantes de pós-graduação estão na mesma categoria que estudantes de graduação, embora muitas vezes não se reconheçam na luta do movimento estudantil. Porém, a questão é como superar essa situação e construir um movimento forte na pós, capaz de somar forças às demais lutas da Universidade. A realidade que enfrentamos como estudantes de pós envolve várias especificidades.

A forte pressão produtivista e a natureza da relação de orientação possibilitam formas muito próprias de assédio moral e sexual, estresse ou exaustão. Os dados sobre assédio e saúde mental na pós-graduação brasileira demonstram uma verdadeira epidemia. Ao contrário da graduação, geralmente não mantemos uma relação próxima com nossa turma de ingresso, particularmente após o primeiro ano de curso, e a realidade de uma ampla parcela de estudantes vindas de outras cidades conforma uma situação de grande isolamento: dentro do núcleo/laboratório ou mesmo na solidão junto a livros, artigos e computador.

As bolsas atuais, cujo valor não é diretamente vinculado às bolsas da graduação, são indignas para quem já dedicou vários anos aos estudos, na maioria dos casos trabalhou fora da Universidade e precisa, muitas vezes, sustentar uma família – o que certamente acontece na graduação também, mas não na mesma proporção. Com isso, a luta por bolsas se une à luta contra o desemprego ou a precarização de sub-empregos que acumulamos junto aos auxílios da CNPq e CAPES. Na prática, o trabalho científico no Brasil não é tratado como emprego, pois é feito majoritariamente por bolsistas – quando não é sustentado pelas famílias de quem pode pagar. Somos trabalhadoras e trabalhadores da produção de conhecimento, mas não temos direitos trabalhistas ou previdenciários básicos e recebemos muito menos do que nossos pares em outras profissões.

O tempo que estudantes de pós-graduação passam na Universidade – 2 anos no Mestrado, 4 anos no Doutorado, mas muitas vezes afastado em parte desse período – sugere outra dinâmica de organização, assim como o nível de exigências e tarefas acumuladas pelos motivos citados acima. Não é plausível, portanto, esperar o mesmo ritmo de militância que é comum na graduação, onde chegamos a realizar várias reuniões por semana. Atrasar disciplinas ou se organizar para ter “semestres mais leves” simplesmente não acontece.

Hoje a luta na pós-graduação é tocada principalmente por quem já participou do movimento estudantil na graduação e, muitas vezes, por quem ainda mantém vínculo e relação política com a luta de outras categorias da Universidade. Se, por um lado, este perfil é de um sujeito com experiência e compromisso, também é um perfil minoritário entre nossa categoria.

Se ainda não aproximamos setores mais amplos da pós-graduação nem temos uma cultura de luta bem consolidada, precisamos cultivá-la a partir do trabalho de base em cima das nossas demandas mais urgentes. Isso exige construir identidade com tantas e tantos estudantes que vivem as situações descritas acima e dedicar nosso tempo nessas lutas. Frente a essa situação, avaliamos que apenas somar nosso processo de organização ao DCE reforçaria muitas das dificuldades encontradas hoje para mobilizar a pós, pela diferença de pautas, pelo ritmo próprio e principalmente pela falta de identidade.

Não defendemos, com isso, que a unidade é indesejável, nem que o projeto de Universidade desenvolvido na luta da pós seja necessariamente distinto daquele construído entre as demais lutas sindicais ou estudantis da UFSC. O que apontamos como tarefa para o momento atual é mobilizar a partir das pautas mais imediatas e urgentes de nossa categoria como condição para criar cultura de luta, reforçar contatos, formar um caldo. A tarefa da militância é fazer a relação entre o imediato e o geral, entre as necessidades básicas que podem movimentar esse sujeito e o projeto mais amplo de Universidade, que disputaremos necessariamente junto às outras categorias. Ou seja, é nosso compromisso interpretar nossas lutas dentro de uma estratégia mais ampla e coletiva.

Confiamos menos na estratégia inversa, onde primeiro se estabelece a unidade por cima, para depois tentar mobilizar. É o processo concreto de reivindicações que demonstra da melhor forma a necessidade fundamental da articulação entre todos os setores de luta na Universidade. A partir do foco nas questões específicas de estudantes da pós, nossa mobilização pode inclusive avançar nas propostas e programas específicos de nossa realidade, dando uma contribuição mais sólida para o projeto de Universidade que precisamos construir enquanto setores oprimidos – estudantes secundaristas, de graduação, de pós-graduação, trabalhadoras e trabalhadores terceirizadas, servidoras e servidores técnicos e docentes, comunidades do entorno da Universidade e movimentos sociais da região.

APG para quê?

Até agora, defendemos a existência da APG enquanto entidade na presente conjuntura. Mas por que assumimos a tarefa de participar de uma chapa e fazer parte da gestão da entidade? O que esperamos que ela faça? Não podemos lutar da mesma forma sem a entidade?

Entendemos que é momento de reforçar as campanhas em defesa das Ações Afirmativas nos programas de pós-graduação, onde as políticas que buscam democratizar o acesso para estudantes negras e negros, indígenas e pobres ainda não chegaram ou tiveram pouco efeito. No entanto, alguns Programas pelo país já implementaram essas ações afirmativas, inclusive na UFSC, e vários outros estão no processo de reivindicação por elas, o que demonstra que é hora de avançar. Sem esses sujeitos em peso na pós, continuaremos com o perfil de quase totalidade de docentes brancas e brancos nas Universidades e não haverá produção de conhecimento verdadeiramente crítico e a serviço do povo.

Fora essa pauta que representaria uma nova conquista, estamos em uma conjuntura de resistência, de luta contra os retrocessos. Isso significa enfrentar os avanços do capital privado na Universidade, das parcerias público-privadas, convênios e também as medidas que anunciam a derrota do princípio de Universidade pública, como as cobranças nas pós-graduações. Temos necessárias lutas contra o produtivismo, assédios, na demanda por políticas de saúde mental, em defesa das bolsas, das políticas de permanência, enfim, tudo que aprovamos no programa de chapa. Fora isso, se queremos lutar pela produção de conhecimento a partir das necessidades populares, precisamos ser também um ponto de apoio aos movimentos sociais e comunidades que estão fora da Universidade, trazer suas demandas e projetos para dentro da instituição.

A direção da entidade não vai alcançar essas conquistas. Elas dependem de força social e disputa. Só a mobilização ampla da nossa categoria e a articulação com outros setores pode alcançá-las. É uma tarefa que envolve o conjunto de estudantes, mas que a entidade pode ajudar a mobilizar. Dentro do nosso contexto imediato, poucos programas de pós realizam suas assembleias ou se organizam além da escolha da representação discente. Foi a entidade que mobilizou as principais ações no último período, é ela que tem espaço de representação frente à instituição e que tem maior legitimidade e capacidade para fazer trabalho de base e puxar novas campanhas.

Nessa terça-feira (31) é a votação para a chapa “Quem tem coragem!”, através do site https://capg.ufsc.br. Embora sejamos chapa única, a declaração de apoio à chapa e a votação na terça-feira são importantes demonstrações de apoio para esse programa. Em tempos de retrocessos políticos, em que vemos a organização de setores conservadores e de extrema-direita na Universidade, é fundamental somar forças em um projeto popular, crítico e transformador. Quem tem coragem?

Vote “Quem tem coragem!”: https://www.facebook.com/events/150020025611411/

 

Sobre as eleições para o DCE UFSC

A votação para a direção do Diretório Central de Estudantes da UFSC ocorre nessa semana, nos dias 27 e 28 de setembro. Apresentamos aqui uma análise das forças em jogo nas eleições, uma crítica de práticas presentes entre os grupos de esquerda no movimento estudantil, nossa posição para as votações e algumas prioridades para as lutas no próximo período.

Quem são as chapas?

Temos quatro chapas disputando as eleições. A Chapa 1 “Ainda há tempo” inclui vários grupos de esquerda com posição crítica ao campo petista, como Juventude Comunista Avançando, União da Juventude Comunista, MAIS, Brigadas Populares, Alicerce, além de pessoas independentes. A Chapa 2 “Um novo enredo” reúne os setores que fizeram sustentação para as políticas do PT, como a Juventude Revolução, a União da Juventude Socialista, Juventude do PT e PDT. Essa agrupação inclui setores da centro-esquerda e também grupos que atuaram lado a lado com a direita, compartilhando seus métodos e pautas, como a UJS que esteve construindo o DCE até a última gestão. Precisamos apontar que a Chapa 2 se apropria da estética dos zapatistas, uma força política indígena revolucionária baseada em princípios de autonomia, autogestão e crítica ao Estado, propostas opostas aos grupos que constroem essa chapa. A Chapa 3 “Chapa Zero”, é fruto do grupo de mesmo nome impugnado ano passado pelas ameaças explícitas de violência machista e contra pessoas da esquerda em geral. Esse grupo, que se articula em grupos da internet com argumentos “anti-política”, tem entre seus membros pessoas com histórico de posições racistas, misóginas e abertamente fascistas que precisam ser repudiadas por todas e todos. Por último, a Chapa 4 “Pense diferente” é a continuidade do grupo de direita que estava na direção do DCE e foi completamente ausente na defesa dos direitos estudantis, resumindo sua atuação praticamente à venda de carteirinhas, blidangem da Reitoria e promoção de convênios com grupos privados.

Importante apontar que não concordamos com a caracterização de que a chapa 1 representa uma proposta de unidade da esquerda. Vários setores de esquerda que estiveram na linha de frente das lutas do último ano não estão construindo essa chapa, como muitas militantes no movimento negro, indígena, de estudantes mães e pais, da luta por permanência, além de grupos como o PSTU, a RECC, o jornal UFSC à Esquerda ou nós da Coletiva Centospé. A resistência na UFSC é muito mais ampla do que a disputa pela direção do DCE.

Construção cotidiana ou disputa por direções?

Em um contexto de graves ataques às classes oprimidas, a mobilização de tempo, esforço e dinheiro que são gastos com as eleições para o DCE apontam para um interesse maior em alcançar postos de direção, conquistar referência política e falar em nome das estudantes, do que em avançar as lutas. São escolhas que não combinam com uma atuação pela base, que acredita no poder da mobilização estudantil e na ação direta para alcançar vitórias.

Nesse sentido, fazemos algumas perguntas: onde estava todo esse esforço de imprimir materiais, fazer passagens em sala, pintar faixas, organizar festas, saraus e dedicar horas e horas em reuniões de debate político até o mês passado? Onde estava essa disposição na construção das Greves Gerais? Onde estava essa disposição quando aumentou o valor do RU para as tercerizadas da UFSC? Quando as festas foram proibidas na Universidade? Quando a Reitoria decidiu levar a UFSC Joinville para dentro de um business park privado? Quando ela firmou acordos com o Governo genocida de Israel? Quando o Conselho Universitário passou sérios retrocessos nas políticas de Ações Afirmativas no vestibular 2018?

No período que antecede as eleições para o DCE, ocorre uma “caça eleitoral por pautas”, em que as chapas correm atrás de saber quais as demandas de estudantes indígenas, da licenciatura do campo, de estudantes surdos, estudantes mães e pais, grupos de extensão popular, dos campi do interior, entre outros setores, para tentar representar essas bandeiras. Até que ponto essas chapas podem se apresentar como comprometidas, se não conhecem o cotidiano dessas reivindicações e muitas vezes não se fizeram presentes nos momentos de luta?

Rebaixamento das pautas

Muitas companheiras justificam o esforço prioritário nos períodos eleitorais com o argumento de que é um momento fundamental de fazer debate político na Universidade e fazer trabalho de base a partir das propostas de chapa.

Para nós, a disputa pelo sentido da Universidade exige posicionamento em todos os momentos sobre questões como: a defesa da não-entrada da Polícia Militar no campus e o fim da Polícia Militar em toda a sociedade, por seu histórico de atuação racista e genocida; a luta contra os interesses de mercado representados pelas fundações de direito privado na Universidade; a luta contra as formas de empresariamento representadas pelas Empresas Júnior; a defesa de uma interpretação popular da extensão, vinculada necessariamente às necessidades de movimentos sociais e grupos marginalizados; a defesa da paridade nas instâncias de decisão da UFSC e o voto universal nas eleições; a defesa do fim do vestibular e o direito ao acesso universal na educação superior; enquanto ainda há vestibular, a defesa de cotas sociais em, no mínimo, 85% das vagas, conforme a proporção da juventude que está na educação pública; a defesa de ampliação das políticas de ações afirmativas para estudantes negras e indígenas em todos os níveis; a atuação do DCE em articulação direta com os movimentos sociais e populares da cidade, defendendo seus interesses na disputa pela Universidade.

Infelizmente, muitas dessas bandeiras são ignoradas nessa época do ano por medo de perder votos. Se esse cálculo eleitoral determina nossas propostas, tem como dizer que estamos aproveitando o momento para defender nossas pautas na base? Historicamente, foi o movimento estudantil que trouxe essas bandeiras para debate. Não achamos que vale a pena ganhar qualquer entidade sem levar nossas propostas junto.

Disputa da UNE e UCE

Olhamos com sensação de retrocesso coletivo, de derrota estratégica para o campo da esquerda, quando vários grupos do movimento estudantil voltam a tentar disputar a União Nacional de Estudantes (UNE), assim como a União Catarinense de Estudantes (UCE). Isso é, inclusive, uma proposta do programa das Chapas 1 e 2 para o DCE. A UNE atuou por mais de 10 anos como um braço estudantil das políticas petistas de conciliação de classes, além de ter sido um verdadeiro freio de mão em várias das principais lutas desse período. Para citar dois exemplos drásticos recentes, a UNE levou estudantes para trabalhar de graça para a Copa do Mundo de 2014, que desalojou milhares de pessoas e beneficiou as grandes empreiteiras; assim como tirou fotos abraçadas com inimigos do povo como a ruralista Kátia Abreu.

As ocupações das escolas e Universidades nos últimos dois anos estão entre os pontos altos da história do movimento estudantil no Brasil. Essas lutas massivas passaram por fora das entidades nacionais, como a UNE e ANEL, sendo inclusive de oposição a elas em várias situações. Quando essas entidades tentaram aparelhar as ocupações e falar em nome das estudantes, foram expulsas de diversas escolas e espaços de organização do movimento.

A tentativa (fracassada) de disputar a UNE, contra a direção atual da UJS, só contribui para legitimar a entidade como espaço representativo do movimento estudantil e de sua história: quanto mais setores estudantis disputando a UNE, maior a importância ela parece possuir na construção de nossas pautas e estratégias. A reconstrução do movimento estudantil em âmbito nacional só pode acontecer a partir dos processos de luta, desde baixo, não através da disputa dessa entidade.

Para além das urnas

Pelos motivos elencados acima, não compusemos nenhuma chapa, não faremos campanha, não estaremos em nenhuma gestão do DCE no próximo ano, mas votaremos na Chapa 1, “Ainda há tempo”. Entendemos que, dentro dessa chapa, há setores com disposição para defender a Universidade Pública e não utilizar do DCE para fins de interesses do mercado, conchavos com a Reitoria ou para a defesa eleitoral do PT e de suas propostas de aliança com o capital privado na educação.

Independente de quem ganhar as eleições, continuaremos lutando desde a base: nas salas de aula, assembleias, comitês de luta, Centros Acadêmicos, grupos de extensão popular e nas ruas. Um povo forte não se constroi através da conquista da direção das entidades representativas. É a ampliação das mobilizações e o avanço de radicalidade que pode mudar a correlação de forças que estamos vivendo e resistir contra os ataques que sofremos. Compartilhamos das ideias zapatistas para construir autogestão, autonomia, dignidade e alegre rebeldia!

Desde baixo e à esquerda!
Mais fortes são os poderes do povo!

Coletiva Centospé
Setembro de 2017

20/09 | Arpilleras, o Filme – Lançamento em Florianópolis

Com imensa satisfação e suor, convidamos todas e todos para o lançamento do documentário “Arpilleras: atingidas por barragens bordando a resistência” e para o lançamento estadual do 8º Encontro Nacional do Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB).

“Arpilleras: atingidas por barragens bordando a resistência”.
Um filme “costurado” por diversas mãos e que terá sua primeira exibição em Florianópolis no próximo dia 20. O longa-metragem conta a história de luta das mulheres atingidas por barragens nas cinco regiões do país usando uma técnica de bordado advinda do legado das mulheres chilenas que bravamente lutaram contra a sangrenta ditadura militar instalada em setembro de 73. No Brasil, a técnica das arpilleras foi ensinada e fomentada pelo MAB nos últimos anos através de oficinas realizadas em todas as regiões do país. O filme, financiado coletivamente, foi totalmente produzido e realizado pelas mulheres do MAB em conjunto com o coletivo de comunicação do movimento. Seu lançamento oficial foi na cidade do Rio de Janeiro e, em breve, terá estreia em São Paulo.

No dia 20 de setembro, em Florianópolis, além da estreia do filme ocorrerá o lançamento do 8º Encontro Nacional do Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB), marcado para acontecer entre os dias 1 e 5 de outubro, no Rio de Janeiro. O Encontro Nacional deve reunir mais de cinco mil atingidos e apoiadores do movimento de todos o país.

Sinopse:
“Arpilleras: atingidas por barragens bordando a resistência”
O que une 10 mulheres de diferentes regiões do país? Elas se conectam na dor da perda de suas memórias, mas também na força de resistir e de se converter em autoras de sua própria história. Elas são mulheres atingidas por barragens. E a costura sua ferramenta de luta.

Trailer:
https://www.youtube.com/watch?v=N-Q3hRtcwiM
Página do filme:
https://www.facebook.com/arpilleras/

ESTREIA EM FLORIANÓPOLIS:
DATA: 20.09.2017
HORÁRIO: 19h
LOCAL: Auditório Antonieta de Barros – Assembleia Legislativa de SC. Rua Dr. Jorge Luz Fontes, 310

Realização: Movimento dos Atingidos por Barragens – SC
Apoio: Bancada do PT, ALESC, Sinergia

#ArpillerasOFilme #AtingidasSomosTodas #AtingidosSomosTodos #MAB

07/09 | Caminhada e Abraço aos Areais da Ribanceira

Movimento SOS Butia catarinensis CONVIDA: Caminhada e Abraço aos Areais da Ribanceira

Quando: 7 de setembro de 2017
Horário: das 15h às 18h
Saída na Associação Comunitária Rural de Imbituba, onde acontece a Feira da Mandioca, logo depois da Usina de Triagem de Imbituba

Essa ação acontece em virtude da extensa queimada ocorrida nos dias 2 e 3 de setembro. Onde muitos animais morreram, muitas aves migraram, o complexo de butiazais e todo seu ecossistema foi fortemente atingido.

Junte-se a nós nessa caminhada, se puder venha de preto para representar o luto pelas queimadas ou venha de branco para representar a vida pela terra.

Para saber mais, acesse: https://www.facebook.com/events/321044458359290/